A  PRATA  NA  HISTORIA 

 

 

 A prata é conhecida pelo homem desde a Pré-História, estimando-se que a sua descoberta se fez pouco depois da do ouro e do cobre. A referência mais antiga que se conhece ao elemento é o livro do Genesis. Os Egípcios consideravam o ouro como o metal perfeito, atribuindo-lhe o símbolo de um círculo, enquanto a prata era tida como a mais próxima de ouro em perfeição, pelo que lhe foi atribuído o símbolo de um semi-círculo. Este semi-círculo terá dado origem, mais tarde, a uma lua crescente, provavelmente devido à semelhança entre o brilho do metal e o da lua. Os Romanos chamavam a prata de argentum, mantendo-se este como nome internacional do elemento, de onde deriva o seu símbolo químico.

 

 

 A imponência do metal é considerada nobre antes de Cristo por várias civilizações para o uso de muitas finalidades. Nas celebrações de povos indígenas era usado como recipiente para bebidas sagradas. A prataria usada na América, Egito, França e África foi disseminada por todo mundo, com passar do tempo.

Cada vez mais artesãos prateiros foram transformando-se em verdadeiros artistas, que muitas vezes conjugavam a criação com a confecção. Desenvolveu-se em vários países o sistema de oficinas e também cooperativa, onde sob as orientações de mestres, trabalhavam os prateiros executores (ourives). Aliás, o  interesse que os poderes instituídos nas diversas épocas históricas lhe dedicaram foi sempre constante. E a relevância económica e social que foi tendo ao longo dos tempos contribuíram para que a Coroa sentisse necessidade de  fiscalizar e regular a sua produção. Até porque era um excelente produto para dar origem a  impostos ou taxas, sendo, ainda por cima, um produção de luxo ou quase.
Por outro lado, a fim de evitar abusos, surgiu também a  necessidade de regulamentar o teor de prata e cobre da liga e assim responder às variadíssimas queixas apresentadas em Cortes pelos procuradores.
Este controlo por parte da Coroa beneficiava não só a população em geral e os próprios fabricantes e comerciantes (que ficavam protegidos da concorrência ilegal), mas também o próprio poder instituído, que aproveitou para lançar impostos sobre o fabrico e comercialização de objectos de prata. Para tal, criou-se um sistema de controlo e marcação dos objectos em que, para melhor funcionamento do mercado, havia necessidade de se socorrer do poder instituído. Este regulava e protegia o consumidor e, ao mesmo tempo, taxava o consumo de bens fabricados neste metal precioso.
Convém ter em conta que este processo passou-se durante a Idade Média e um pouco por toda a Europa,  altura em que se deu o desenvolvimento da produção e das trocas comerciais.
Deste modo, as obrigações legais que foram sendo introduzidas ao longo dos tempos contribuem, actualmente, não só para um grande conhecimento dos agentes deste mercado, mas também para que grande parte dos objectos tenham marcas e contrastes, facilitando  uma correcta identificação dos bens em prata e respectiva peritagem.

 

 

 Sempre foi utilizada para confecção de adorno e objeto de uso; poderia ser destinada a finalidade de cunho religioso chamadas de peças sacras e de uso comum como faqueiros, tinteiro, entre outros. Abordando o aspecto de peças sacras temos que destacar a grande relevância das peças brasileiras do século 18 (XVIII), obviamente influenciada pela arte barroco e rococó.
Essa evidência, nós encontramos nas banquetas de altar constituídas de seis tocheiros e o crucifixo central que ficavam geralmente no altar-mor, enquanto, não havia missa.

Existem navetas nos mais variados formatos como caravelas e bombas;
Os turíbulos e também merecendo destaque o grande tocheiro que serviam de pés para sustentação de mesas e altares.Cujo exemplo de grande significado é um par que foi oferecido por D. João VI à igreja da Ordem Terceira do Carmo em Salvador, a qual ele costumava freqüentar.
Os cetros e castiçais – Nas peças de uso aparecem como sinal de bom gosto, o faqueiro que ainda hoje é produzido e utilizado em vários países da Europa e América. Desses países podemos destacar pela produção de prata de qualidade em com ênfase a Inglaterra, Portugal e França. Pra falamos algumas particularidades sobre esses países, mencionamos que a prata francesa do século 18 praticamente desapareceu, porque foi muito utilizada pelo sistema napoleônico para custear suas guerras. Quanto a Inglaterra é importante salientar o cuidado do registro das peças fabricadas daquele país, cujo controle já data mais de quatro séculos.
Segue se a nossa referência a Portugal, cujas peças são normalmente com indicação do ourives e do prateiro que executou. No Brasil temos uma alta qualidade de trabalho feito no século 18. Os prateiros portugueses quando vieram com a Corte, executaram aqui o seu oficio.
No Século 19 (XIX), surgiu a famosa prataria “10 dinheiros” com prateiros brasileirosAs peças de prata geralmente usam contraste ou punsão que obedece a um registro nos países de origem.

A prataria do século 18 no Brasil não apresentava normalmente contrastes, pois os nossos prateiros não eram reconhecidos, o que só veio acontecer na primeira metade do século 19, cerca de duas décadas da nossa independência.
Exemplos de peças do século 18 sem contraste, citamos as obras elaboradas pelos escravos ao ganho que eram prateiros profissionalmente feitos com prateiros portugueses que trabalhavam sob o domínio de seus senhores e que por serem bons profissionais, tinham o direito de fazer peças para terceiros. Muitas dessas peças trazem no centro a marca da família para qual o escravo trabalhava.

 

 

 

A prata é um metal precioso, branco-mate, brilhante, muito dúctil e sonoro, mas também de grande importância histórico-cultural e artística. Praticamente todas as civilizações da Antiguidade conheceram e utilizaram a prata em utensílios e em objectos de adorno.
Os Romanos possuíam grandes riquezas em prata procedente da Península Ibérica e de outros locais. Séculos mais tarde, foram os contactos com a Ásia e a posterior descoberta do continente americano que proporcionaram enormes extracções deste minério e a consequente produção de bens.
Em Portugal, a prata é conhecida desde tempos imemoriais. Com uma extracção intensa ao longo dos séculos, temos grandes tradições na produção e, sobretudo, no trabalho artístico. Considerada como um material nobre e de prestígio, associado a noções de importância e de status, os artefactos de prata são, ainda hoje, bens preciosos e intemporais, altamente valorizados quer em termos financeiros quer em termos sociais.
Demonstrativo desta realidade é o facto dos ourives da prata terem tido, ao longo dos tempos, um destaque e prestígio social dificilmente atribuído a outros ofícios. A estes  mestres sempre foi dado um tratamento deferencial e de muita consideração, sendo hábito a convivência com os estratos mais altos da pirâmide social.
Em Portugal, desde a Idade Média que tal importância é reflectida no  papel relevante que desempenhavam na Casa dos Vinte e Quatro, na participação nas representações concelhias às Cortes e no destaque que lhes era dado por reis e outras figuras de primeira grandeza
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                                       Santo Eloy

 

Ele é o santo padroeiro dos ourives .

Conhecido tambem como Santo Elígio o como Santo Eloi.

Nasceu em Limoges em torno de 600 DC e era um talentoso ourives e exemplos de sua habilidade com metais o sobreviveu e até hoje são encontrada peças feitas por ele em Paris. Ele serviu por um tempo como mestre ourives do Rei ClotaireII dos Francos que reinou de 613 a 629. Ele renunciou ao seu posto e entrou para o sacerdócio em 640. Indicado para bispo de Noyon ele conseguiu evangelizar as regiões ao redor da Antuérpia e Ghen e fundou vários monastérios e instituições monásticas. Ele também resgatou escravos e cuidou dos pobres. Renomado pela sua amabilidade e humor ele era largamente venerado em toda era medieval. Foi enviado em missões diplomáticas enviado pelo Rei Dagoberto I (629-639) , filho de Clotaire e seu herdeiro, incumbido de resgatar cristãos presos e vendidos como escravos pelos bárbaros.
Com morte de Acarius, Bispode Noyon-Trournay , em 13 de maio de 640 , Eloi foi escolhido seu sucessor com a unanime aprovação do clero e do povo. Os habitantes desta diocese eram em sua maioria pagãos. Ele consegui a conversão dos Femings, dos Antuerpianos ,dos Frisianos e parte das tribos ao logo da costa. E em 654 ele aprovou o famoso privilégio de garantir a Abadia de Saint Denis, Paris , a isenção da jurisdição ordinária . Na sua própria cidade episcopal de Noyon ele construiu um monastério para virgens. Após ele faz diligencias no sentido de encontrar o corpo de São Quentin, e ao encontra-lo erigiu, em sua honra, uma igreja e um monastério com regras Irlandesas.
Ele também descobriu os corpos de São Piatus em 654 e o de São Fursey o notável missionário irlandês. E removeu as relíquias para Roma.
Santo Eloi foi enterrado em Noyon. Ali existe um sermão escrito por Eloy no qual combate as práticas pagãs do seu tempo e uma homilia com ultimo julgamento e ainda cartas escritas em 645 na qual a ele pede orações para o bispo Desiderius de Cahors.
Ele é particularmente venerado em Flanders, e em Tournai, Contrai au Ghent e Douai.
Durante a idade média suas relíquias foram objeto de intensa veneração.
Na arte litúrgica da igreja ele é representado como um bispo com um crucifixo na mão direita e na palma aberta da mão esquerda ele segura uma miniatura de uma igreja em ouro.  

Sua festa é celebrada no dia 1 de dezembro